Ele ria como um tilintar de ferros, e eu tremia como uma foto 3x4 mal tirada, nervoso, gim, brilho, luzes vermelhas. Somos o que há de melhor.
Sempre prezei pelas minhas lembranças, as vezes até mesmo em detrimento das minhas experiências. Entende? A minha preocupação com o que lembrar quando for velha é superior a vontade de fazer com que as experiências sejam duradouras.
E então ele veio, entrou no bar, sentou do meu lado. Percebi que o cabelo dele agora tinha uma mecha longa que se destacava de toda a cabeça de cabelos curtos, que coisa odiosa. A infanta barba tentava despontar, mediocremente. Vestia um moletom de capuz, uma calça jeans escura e um desses tênis horrorosos cheios de molas no solado. Só que, ninguém nunca vai entender que não importa como ele estivesse vestido. Desde que eu pudesse dar uma olhada naquele sorriso reto, branco, brilhante e convidativo. Cara! Eu nunca gostei de nada na vida da forma como gostava de olhá-lo sorrindo. Eu gostava de olhá-lo até sem face, gostava de olhá-lo até se ele não olhasse para mim. Até se soubesse que era tudo artificial.
Mas eu estava ali. De toda uma multidão de pessoas no mundo, de todas as pessoas que já tinham conhecido ele, de todas as mulheres que já se interessaram por ele, de todas as pessoas naquela sala de faculdade, era eu quem estava ali. Não podia ser coincidência.
Já ali, eu era capaz de lembrar de todas as vezes em que conversamos. Todas as palavras que ele já falou comigo. Sobre meu relógio roxo, sobre minha bolsa pesada, sobre meu All Star de velcro, sobre cigarros, sobre mulheres, sobre os pés das mulheres, sobre homens, sobre barbas.
Eu tenho as melhores lembranças, até os momentos de briga e discussões que me faziam acha-lo um idiota, contam nestas lembranças. Até os últimos momentos antes do último momento.
Ele pediu um cigarro, eu, que sempre fingia que não estava me importando com ninguém, coloquei sobre a mesa cigarro e isqueiro. Nenhuma palavra, eu me sentindo extasiada, ele comentou que eu estava bonita. Me ajeitei no banco do bar, entrelacei os dedos e esperei.
Fui invadida, a sensação era como se tivessem tirado meu cérebro do lugar, dado uma chacoalhada e colocado no lugar. Todas as coisas e placas passavam como borrões numa tele transferência. Só tinha sobrado ele ali na minha frente, me beijando.
Ele me faz correr e perder todas as coisas como um barco perde o rumo sem poder manter controle dos elementos que o fazem funcionar. As vezes eu me sentia um fantoche e era um prazer ser manipulada por ele.
Bob Marley começou a tocar, estragando meu momento.
Era o início de uma parte da minha vida, a melhor de todas.
terça-feira, 12 de agosto de 2014
Verdades do Tempo
Há quem queira preservar o tempo,
mas o tempo não se preserva,
o tempo se vive e fica na memória...
Há quem queira voltar no tempo,
mas o tempo não se rebobina,
o tempo é uma história contínua sem revisão...
Há quem deixe para o amanhã,
mas não se deixa o hoje pra amanhã,
o amanhã é outro, você será outro...
Há quem diz viver no passado,
mas vive sozinho,
a maioria está nas asas do tempo...
Há quem viva com meios sorrisos,
culpam o tempo e,
o tempo apenas continua sem querer entender,
pois ele é o tempo e o tempo voa!
mas o tempo não se preserva,
o tempo se vive e fica na memória...
Há quem queira voltar no tempo,
mas o tempo não se rebobina,
o tempo é uma história contínua sem revisão...
Há quem deixe para o amanhã,
mas não se deixa o hoje pra amanhã,
o amanhã é outro, você será outro...
Há quem diz viver no passado,
mas vive sozinho,
a maioria está nas asas do tempo...
Há quem viva com meios sorrisos,
culpam o tempo e,
o tempo apenas continua sem querer entender,
pois ele é o tempo e o tempo voa!
quinta-feira, 7 de agosto de 2014
Eu tive um sonho e era meio dia
Eu tive um sonho
um sonho ao meio dia
Mas quem sonha no meio do dia?
No sonho, o dia de sol era noite,
a noite de escuridão brilhava como dia...
Eu tive um sonho
um sonho ao meio dia
Mas quem sonha no meio do dia?
Nossos corpos estavam nus,
ao nosso redor já era mania...
Eu tive um sonho
um sonho ao meio dia
Mas quem sonha no meio do dia?
seu corpo era esculpido e lapidado,
o meu estava preparado...
Eu tive um sonho
um sonho ao meio dia
Mas quem sonha no meio do dia?
seus olhos fumegavam de prazer,
e mais nada, nada precisava dizer...
Eu tive um sonho
um sonho ao meio dia
Mas quem sonha no meio do dia?
agora somos um só,
seguimos até virar pó...
Eu tive um sonho
um sonho ao meio dia
Mas quem sonha no meio do dia?
Não quero despertador
Viverei do nosso amor.
Eu tive um sonho
um sonho ao meio dia
Mas quem sonha no meio do dia?
No sonho, o dia de sol era noite,
a noite de escuridão brilhava como dia...
Eu tive um sonho
um sonho ao meio dia
Mas quem sonha no meio do dia?
Nossos corpos estavam nus,
ao nosso redor já era mania...
Eu tive um sonho
um sonho ao meio dia
Mas quem sonha no meio do dia?
seu corpo era esculpido e lapidado,
o meu estava preparado...
Eu tive um sonho
um sonho ao meio dia
Mas quem sonha no meio do dia?
seus olhos fumegavam de prazer,
e mais nada, nada precisava dizer...
Eu tive um sonho
um sonho ao meio dia
Mas quem sonha no meio do dia?
agora somos um só,
seguimos até virar pó...
Eu tive um sonho
um sonho ao meio dia
Mas quem sonha no meio do dia?
Não quero despertador
Viverei do nosso amor.
sexta-feira, 1 de agosto de 2014
quarta-feira, 30 de julho de 2014
Próprio Eu Meu
Não acredito na ignorância,
vejo falta e desinteresse por informação...
Não há coitadinho,
existe o momento...
Ele não é o mais inteligente,
apenas o admira demais,
quando deveria traçar uma linha, seguir um foco...
(Egoísta) Não há divisão,
te entrego o que não me serve...
Não há todo amor meu pelo seu,
existe um interesse de ambas as partes...
Não se deixa pra amanhã,
vive o hoje com o máximo de intensidade,
pois o amanhã não é seu e nem de ninguém...
Não se entregue no fundo do poço,
viva a superação...
Não se pode tudo,
pode algumas coisas...
Não espere do próximo,
explore seu Eu pra Eu...
Não entenda como contradição,
veja como evolução racional...
Não entenda como egoísmo,
viva o amor PRÓPRIO!
vejo falta e desinteresse por informação...
Não há coitadinho,
existe o momento...
Ele não é o mais inteligente,
apenas o admira demais,
quando deveria traçar uma linha, seguir um foco...
(Egoísta) Não há divisão,
te entrego o que não me serve...
Não há todo amor meu pelo seu,
existe um interesse de ambas as partes...
Não se deixa pra amanhã,
vive o hoje com o máximo de intensidade,
pois o amanhã não é seu e nem de ninguém...
Não se entregue no fundo do poço,
viva a superação...
Não se pode tudo,
pode algumas coisas...
Não espere do próximo,
explore seu Eu pra Eu...
Não entenda como contradição,
veja como evolução racional...
Não entenda como egoísmo,
viva o amor PRÓPRIO!
terça-feira, 15 de julho de 2014
Odiando o ~colega de trabalho~
Ele fica me encarando por metade do dia, e acha que eu não noto.
Quando eu flagro seus olhos de peixe morto me encarando por entre as lentes grossas do óculos escroto que ele usa, ele diz "Hey Gi" e fixa os olhos no computador. Passados cinco minutos, ele torna a me encarar como um retardado.
A risada dele parece uma criança com manha, me dá vontade de soca-lo e dizer "ria como um homem, inferno", mas eu ainda não posso fazer isso. Ou então ele solta aquelas risadas desvairadas, altas, como quando estávamos na reunião com o departamento de negociação internacional, era um de seus primeiros dias na empresa, e ele soltou uma dessa no meio da reunião. Eu enrolei uma perna minha na outra pra evitar mandar aquele rapaz sair da sala.
Suas teorias furadas: que o espanhol cantado por Manu Chao era péssimo, que quando se estuda espanhol nota-se o quanto as letras são fracas. Ah essa foi por muito pouco que eu não lhe atirei a faca que usava durante aquele almoço. Ele já sabia que eu era fã de Manu Chao e com certeza que este comentário foi para me irritar, já que ninguém do departamento sequer conhece Manu Chao.
Café Tacvba também foi uma de suas vítimas, acho que ali a intenção dele era me humilhar mesmo, começou a dissertar sobre os mais variados álbuns da banda, e eu que só conheço os de maior sucesso, fiquei quieta, segurando o punho e a língua.
E eu nem comecei a falar da parte profissional. Os mínimos detalhes que só ele enxerga e que não fazem diferença nenhuma, mas que ficam tumultuando o email de todo mundo, porque ele coloca todo o departamento em cópia quando encontra um de seus erros idiotas e indiferentes e pede correções.
Anda rebolando, tem um perfume de pobre. Tem olhos vesgos, não abre a boca direito pra falar. Fala baixo demais, não engana ninguém com esse celular de merda, querendo pagar de popular na frente de todos do departamento. Na hora do almoço fica bancando o aventureiro, já foi soldado por n anos, já sobreviveu na floresta, já lutou isso e aquilo. Grande merda isso tudo! Eu detesto militares, mais um motivo para odiá-lo. Quando começa a falar de si, deve pensar que está num consultório porque ninguém mais o faz parar.
Já deu em cima de metade do departamento. Não vou me esquecer nunca do dia que ele disse que queria que eu pegasse a gripe que ele estava para que a passasse ao meu namorado. Que idiota! Ele é exatamente o tipo de cara que se eu tivesse solteira, não passaria nem perto da minha cama. Acho que ele sabe o quanto é insuportável e está só esperando que uma idiota sem cérebro caia sem querer no poder ridículo daqueles olhos vesgos.
Não existe oi entre nós, da minha parte só existe "morra".
Quando eu flagro seus olhos de peixe morto me encarando por entre as lentes grossas do óculos escroto que ele usa, ele diz "Hey Gi" e fixa os olhos no computador. Passados cinco minutos, ele torna a me encarar como um retardado.
A risada dele parece uma criança com manha, me dá vontade de soca-lo e dizer "ria como um homem, inferno", mas eu ainda não posso fazer isso. Ou então ele solta aquelas risadas desvairadas, altas, como quando estávamos na reunião com o departamento de negociação internacional, era um de seus primeiros dias na empresa, e ele soltou uma dessa no meio da reunião. Eu enrolei uma perna minha na outra pra evitar mandar aquele rapaz sair da sala.
Suas teorias furadas: que o espanhol cantado por Manu Chao era péssimo, que quando se estuda espanhol nota-se o quanto as letras são fracas. Ah essa foi por muito pouco que eu não lhe atirei a faca que usava durante aquele almoço. Ele já sabia que eu era fã de Manu Chao e com certeza que este comentário foi para me irritar, já que ninguém do departamento sequer conhece Manu Chao.
Café Tacvba também foi uma de suas vítimas, acho que ali a intenção dele era me humilhar mesmo, começou a dissertar sobre os mais variados álbuns da banda, e eu que só conheço os de maior sucesso, fiquei quieta, segurando o punho e a língua.
E eu nem comecei a falar da parte profissional. Os mínimos detalhes que só ele enxerga e que não fazem diferença nenhuma, mas que ficam tumultuando o email de todo mundo, porque ele coloca todo o departamento em cópia quando encontra um de seus erros idiotas e indiferentes e pede correções.
Anda rebolando, tem um perfume de pobre. Tem olhos vesgos, não abre a boca direito pra falar. Fala baixo demais, não engana ninguém com esse celular de merda, querendo pagar de popular na frente de todos do departamento. Na hora do almoço fica bancando o aventureiro, já foi soldado por n anos, já sobreviveu na floresta, já lutou isso e aquilo. Grande merda isso tudo! Eu detesto militares, mais um motivo para odiá-lo. Quando começa a falar de si, deve pensar que está num consultório porque ninguém mais o faz parar.
Já deu em cima de metade do departamento. Não vou me esquecer nunca do dia que ele disse que queria que eu pegasse a gripe que ele estava para que a passasse ao meu namorado. Que idiota! Ele é exatamente o tipo de cara que se eu tivesse solteira, não passaria nem perto da minha cama. Acho que ele sabe o quanto é insuportável e está só esperando que uma idiota sem cérebro caia sem querer no poder ridículo daqueles olhos vesgos.
Não existe oi entre nós, da minha parte só existe "morra".
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